quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

O Fim



Eu odeio a literatura! Odeio os romances e todas as obras de ficção! Todos os livros e as livrarias, com suas seções infinitas. Sim, não titubeio, odeio!  Esse apanhado de frases de efeito, com suas histórias coesas e seus personagens cheios de carisma e personalidade.

Detesto a literatura bem feita, só essa! Que para a ruim tenho mais preguiça que desprezo! A boa é a que me prende. Que me vidra na combinação das letras e sentenças arrebatadoras. Às vezes, até cansativas no início, mas, capricho dos bons, vão alimentando o íntimo aos poucos.

Até que me vencem. Dominam-me mais que derrotam e me têm completamente nas mãos nas páginas seguintes! Bukowski, Hemingway, Garcia Marquez, Borges, Huxley, Machado, Palahniuk e agora Kundera. Odeio vocês, meus bons amigos! E gostaria que soubessem!

Vocês fodem a minha vida, parceiros! Enchem-me de sentimentos e expectativas e, de repente, me dão as três piores letras que um ser humano pode ter, sem pedir licença. Vocês e mais um monte de vocês, mas, sou nobre e poupo o resto do monte! Hoje, culpo só vocês!

Porque isso não se faz! Não, não! Pelo menos não com aqueles que te respeitam (e os “aqueles” do caso, aliás e obviamente, sou eu!)! Não se entrega o mundo a uma pessoa se for para, em seguida, dar a ele um irreversível fim. Estou órfão e conto para que se envergonhem!

Por isso explico o ódio, que facilita para todo mundo: Venho odiando vocês há quase quinze anos. Lá dos idos de Dom Casmurro. Mas anteontem, no cabalístico dia primeiro do primeiro mês do novo ano, dei fim à história de Tomas e Tereza, Sabina e Franz. E, meu Deus Kundera!

O que foi que você fez, seu tcheco dos infernos? Porque foi que colocou Karenin na minha vida? Que faço agora que desaprumado? Abriu-se um buraco muito grande no cotidiano da minha cama (a religião da leitura), já que me senti muito íntimo de Tomas e companhia.

Especialmente de Tomas que, segredo confesso, um eu com a pompa da eternidade literária. Ou, valendo-me da modéstia e da cronologia, um eu primário que se camuflou nas prateleiras para se apresentar no mesmo instante que a vida imparável fizesse de mim Tomas tupiniquim.

Eu disse modesto, não? Sim, pois não me orgulho. Tomas apenas na lascívia. Menos ideológico, pouco do caráter. E Karenin, então? Karenin é covardia! Teresa e ela arrancaram de mim as lágrimas mais sinceras que a literatura foi capaz de fazer no mundo até o dia de hoje.

Por isso odeio a literatura! Vulnerável. E você está na minha lista, Kundera, pode apostar! Na lista negra dos belos malditos! Teu talento é minha busca. Meu ódio é resultado da inveja, odeio-o (odeio-os) porque não o alcanço, mas, calma lá! Segura aí que o ano tá só começando!

Um comentário:

Enoc Jr. disse...

Aquele que renasce através do ódio, o único ódio verdadeiro. O lindo ódio que vêm do enorme desejo de ser odiado também.