quarta-feira, 12 de maio de 2010

Família Malta e Wildner


Me manda uma mensagem na quarta-feira, bem no meio da lua, no meio da semana, o meu digníssimo irmão: “Sexta-feira eh nois no Wander Wildner no zeh?” – e lá se foi minha programação oficial de sexta: Inscrever um conto ainda não escrito no meu primeiro concurso literário. Porém, se aprendi algo com Don Corleone é que “um homem que não se dedica a familia nunca será um homem de verdade”. Oferta, ou melhor, compromisso irrecusável.


Preparei-me para a fatídica noite, dormindo tarde (e pouco) nas outras duas noites que antecederam o evento. Tentativa frustrada de antecipar a concepção do conto e, não interromper meu cronograma inicial. Não só patinei por duas madrugadas, como consumi parte da energia estocada para sexta. Mas nada que um sábado sem despertadores não resolvesse.

E na manhã da tal noite, tive a ideia mais que brilhante de confeccionar uma camiseta básica, branca, com os dizeres: “Eu te amo” – Mas interrompo com o parêntese de que é preciso estar a par de Wander Wildner para entender a doce brincadeira. Meus bons companheiros Parada e Kaminsky sabem bem, meu irmão e eu também!

Infelizmente, pela mais displicente falta de disposição, abortei da missão ao longo do dia, mesmo que temendo, em paralelo, o remorso posterior. Enfim, o dia passou, as lojas fecharam e o projeto “Eu te amo” parecia ruir. A noite chegou e, poucas horas me dividiam de um terceiro reencontro com o Sr. Wanderley Luis Wildner.

Solicitei então, em clima de última esperança, os dotes artesanais da dona Suely (minha mãe) e, às pressas apareci agitando uma velha camiseta branca: “Mãe, escreve ‘eu te amo’ com alguma das suas tintas?” – Saí de cena para não pressionar a arte e, quando voltei, me deparei com a esperada frase em letras psicodélicas. Veio a explicação: “Seu pai achou que ficaria melhor, escrito desse jeito. Daí ele desenhou o contorno” – Brilhante!

O evento Wildner acabou se tornando, discretamente, uma ocasião familiar. Corleone é que tinha razão, família é tudo! Parti inspirado (e bem trajado) para o tradicional Bar do Zé e durante a pausa para a janta, sem família, mas, igualmente bem acompanhado, refleti sobre como os gestos familiares são executados em prazeres gratuitos, apenas pelo bem alheio e, ainda que nem tudo esteja exatamente bem.

O show decorreu perfeito, diversão à parte estar às doses com meu irmão. Não me fez falta a falta de percepção do ídolo para a homenagem estampada em mim. Nem fez falta, a impossibilidade de uma foto depois do show. A noite havia sido consagrada antes, horas antes e, também, dois dias antes, quando a oferta veio à tona.

No sábado pela tarde, ainda em recuperação, os preparativos para a viagem do dia das mães. Filhos com a mãe e pai com a avó, separação tradicional da data, indolor. Às sete horas da noite, durante o passeio em trio pelo supermercado, para os ingredientes da janta e sobremesa, liga zeloso, meu pai: “Chegaram bem?”; “Chegamos, esquecemos de ligar, desculpa.”; “Tudo bem, divirtam-se aí. Manda beijo para todo mundo.”; “Um beijo pai!” – Família...

5 comentários:

Tatiana disse...

Adorei.

suely malta disse...

Maravilhoso.....Obrigada pela participação mesmo que pequenina mas de grande valor....te amo filho
Bjs Mã

Má! disse...

Família êh! Família ah! Família! oh!
Sem duvidas o mais fofo de todos! Familia é tudo mesmo!
beijo beijo

Anônimo disse...

Ah! e antes que me esqueça, pq na verdade ja tinha esquecido.. me ensina esses dotes de paint .... rs

Edvany Oliveira disse...

Adorei! alías EU AMO ESSA FAMÍLIA MALTA!
Beijo grande Fázinho!