domingo, 17 de outubro de 2010

Buk Meu Caro, e o Futuro?


Ando brando demais. Polido demais. Debruço-me sobre o caráter tórrido e lascivo do velho Buk e penso: Não sei ser homem. Mas esse velho soube! Não pela sujeira ou pela perversão. Mas por, apesar delas, fazer-se notar nos cantos escuros dos botecos fedorentos. Cru e bruto.

Já eu não. Sou dos limpinhos... Cheirosinho demais até. Falta-me o pigarro e a voz rouca da ressaca monumental em plena madrugada de segunda. Displicência. Quero a imaturidade de afligir os editores pelos prazos estourados, não a mim. Quero arte sobre o profissionalismo!

Dedicar-me ao prazer, ainda que sado (ou maso), vez ou outra. Quero a luxúria artística de gozar meu humilde talento quarta-feira ao meio dia, depois de acordar com a boca seca. E só! Nobel é consolação, Pulitzer é estupidez. Não peço aplausos, só um brinde e taças tilintando.

E uns doze pares de olhos devotos, para me manter inspirado e sustentado. Alguns usuários dessa literatura desprendida das agruras da gramática. Aliás, cago e ando para a gramática. O dilema? Me cago todo dos que se importam com ela e, na mesma medida, dos que me cagam.

E me importo, também, com palavras cadenciadas. Minha estrutura pende mais para o fluente que para o correto. Adotei: “O português correto é o português claro, não necessariamente correto.” – A frase da minha vida. Dela em diante, decidi que podia escrever sem culpa.

Mentira! Vivo a mea culpa de não ter base. Sou uma fantasia. Leio tanto quanto... toco banjo! Almejo a indiferença crítica e a defendo aqui, mas cá estou, imediatamente medindo minhas atitudes literárias e nadando em subterfúgios. Sou um fracasso... embora em transformação!

Mas estarei satisfeito quando o gosto ácido da bílis subir pela garganta dos leitores através das minhas palavras. Na verdade quando a bílis finalmente despejar-se nas linhas dos meus textos. Ah o velho Buk... Meu fígado jamais produzirá uma bílis espessa e mal cheirosa como aquela!

Tão evidente no altruísmo dissimulado e podre do ego. Tão belo, complexo e egoísta. Eis o homem: A mais pura e definitiva rosa de Hiroshima. E como soube entender a espécie o velho. Como eu queria entender. Mal sei de mim. Graças a Eve tenho a ele, um pouco de iluminação.

Graças a quem lê, tenho esse pequeno esqueleto literário que chamo de minha obra. Tão esguia e raquítica, porém viva e hormonal. Crescente. Ofegante e imatura algumas vezes. Sincera. Não sou escritor, por ora. Mas escrevo. Buk e eu. O tempo passa. Hobby ou profissão?

3 comentários:

Ana Paula disse...

Meu, auto-destrutivo como sempre!!rs vc devia analisar seus textos sabia?e ver como vc é bom!chega de bode aos domingos,hein??Sds.

Má! disse...

Caramba!!!
Mas continua cheirosinho por favor! rs
Beijinhos

Marcos Serafim disse...

Você é bom pra caramba.